Ibovespa cai mais de 5% após Senado americano rejeitar pacote de US$ 2 tri




Pacote de estímulos para conter os efeitos econômicos do coronavírus pode voltar a ser debatido nesta segunda

São Paulo – O Ibovespa recuava forte no pregão desta segunda-feira (23), tendo como pano de fundo o cenário de maior aversão a risco, após o Senado americano ter rejeitado, no domingo (22), um pacote de cerca de 2 trilhões de dólares para atenuar os efeitos econômicos do coronavírus. Às 15h26, o principal índice acionário da bolsa brasileira caía 5,12% e ficava em 63.638 pontos.

O pacote, que seria o maior da história dos Estados Unidos, era bastante aguardado pelos investidores e pode voltar a ser discutido nesta segunda. Para senadores do Partido Democrata, a medida atenderia mais aos interesses de Wall Street do que os da população. 

“Este novo atraso na maior economia do mundo coloca em xeque a rapidez com a qual os governos conseguirão colocá-los em prática. A velocidade com que os governos conseguirão fazer com que os recursos entrem na economia é de extrema importância”, escreveram analistas da Guide Investimentos em relatório.

Caso aprovado, o pacote pode servir de gatilho para as ações se valorizarem no curto prazo. “Precisa sair alguma coisa. Vamos ver se eles correm para aprovar alguma medida de estímulo nos Estados Unidos”, comentou Jason Vieira, economista-chefe da Infinity Asset. A Nesta manhã, o Federal Reseve (FED) anunciou um novo programa para oferecer linhas de crédito para famílias, pequenas empresas e grandes empregadores. Após o anúncio, os índices futuros americanos, que chegaram cair mais de 4% desde a abertura, reduziram as perdas, mas não tiveram forças para reverter a queda.

Entre os medidas do FED, está a compra de títulos de grandes empregadores e empréstimos equivalentes a quatro anos de financiamento. “É interessante, principalmente a recompra de ativos por parte de FED, mas o mercado praticamente ignorou isso tudo”, disse Jason.

No exterior, as principais bolsas do mundo registravam perdas. Nos Estados Unidos, o S&P 500 caía 1,3%, enquanto, na Europa, o índice Stoxx 600 recuava 2,49%. Na Ásia, as bolsas também fecharam em queda, com exceção da de Tóquio, que subiu, após o governo local anunciar nova rodada de estímulos econômicos.

Além dos para incentivar a atividade econômica, os investidores também seguem atentos às medidas para conter o avanço do vírus. “O mercado sobe com estímulos, com vacina, se descobrirem que hidroxicloroquina é mais eficaz do que se previa, se o lockdown for mais forte. É um misto de notícias médicas e econômicas”, disse Vieira.

Entre os componentes com maior peso no Ibovespa, as ações dos grandes bancos puxavam a queda do índice, com os papéis do Itaú, Bradesco, Banco do Brasil e Santander desvalorizando-se mais de 8%. Sem perspectiva de valorização para o barril de petróleo, atualmente cotado abaixo dos 25 dólares, a Petrobras amargava mais um dia de depreciação na Bolsa. Às 12h18, as ações preferenciais e ordinárias da petroleira caíam cerca de 4,2%, cotadas na casa dos 11 reais.

Na outra ponta do índice, o destaque ficava com os papéis da fabricante de motores Weg, que subiam 9,7%. A empresa, que tem a maior parte de sua receita dolarizada, vem apresentando bons resultados operacionais e é vista como uma alternativa quando o real sofre depreciação. No ano, a ação da companhia acumulam valorização de pouco mais de 2% – o suficiente para colocá-la na vice-liderança das maiores altas do Ibovespa, ficando apenas atrás dos papéis da rede de farmácias Raia Drogasil.



Fonte: EXAME